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Passeios na casa dos avós...
Férias simples, mas inesquecíveis!!
Tantos pedaços de recordações que me inundam a lembrança ...
Fartura de diversão ...
Fartura de amor ...
Fartura de parentes ...
Fartura de crianças e brincadeiras durante a tarde.
À noitinha os fantasmas (encarnados em minha avó) vinham nos visitar.
O vovôzinho querido assistindo ao telejornal e dando boa noite aos repórteres no final (São Tonico) e, depois, pegando o violão para cantar pra gente (um dia uma criança me falou, olhou me nos olhos a sorrir, caneta e papel em suas mãos, tarefa escolar para cumprir ...).
Madrugada bem dormida, até esquecíamos onde estávamos, de tão dormidinhos que ficávamos ...
Manhãzinha sadia...
Acordávamos com o canto das pombas em cima do telhado (grum ... grum... grum...), cachorros latindo e a galinhada no terreiro ...
ah, assim eram todas as manhãs ao despontar do dia!!
O galo erguia-se, esticava o pescoço e cantava. O seu canto ecoava pelo ar, valendo-se da potente voz, um pouco aguda e algo cacarejante. Era uma referência na vida do bairro e um fator imprescindível para tudo estar bem quando tudo começava bem. Além disso, o galo entoava um canto inconfundível na estrutura de Loanda. Cantava sempre quatro vezes e parava. Cantava de novo quatro vezes e interrompia. Depois cantava apenas três vezes e, a seguir, depois de um pequeno intervalo, cantava, novamente, mais três vezes. Nunca se percebeu a secreta razão deste canto do galo. Meu avô me dizia que era um Canto poético, minha avó complementava a fala do meu avô dizendo que parecia mais um canto a quatro vozes. E eu entendia que era, na realidade, apenas por quatro vezes. Mas todos constatávamos que não era um canto imaginário. Quando muito, imaginativo: Um Canto em Forma de Soneto.
Férias boas ...
Tempo bom aquele ...
Não me esqueço das rosquinhas matinais feitas por minha avó, das rezas de terços compridas, das roupas que mandava nos fazer, de suas gracinhas, anedotas, contos de antigamente, estórias de fantasmas e folclóricas ... Não me esqueço dos milhos debulhados pelo meu avô ... não me esqueço ... vô me dá dinheiro: Pede Inhô ... pede Inhô ... não me esqueço ... minha filhinha, o vovô vai no “Barbante”: vamos? ... minha filhinha, o vovô vai no “Baltazar”: vamos? ... (e aí vinham as marmeladas, os docinhos, os chicletes ... o imenso carinho e amor, que muitos pensavam que não tínhamos ...)