quarta-feira, 22 de junho de 2011

DESPEDIDA

Janieth Costa


Numa noite linda!
A lua cheia
Iluminava a montanha.

Uma brisa leve e fresca,
Acariciava o rosto da menina,
Trazendo no ar o cheirinho da natureza.

No alto da montanha tinha um amplo pasto.
Os gados, que se espalhavam
Pelo verde da mata durante o dia,
Já haviam se recolhido.

Pela janela, além do gramado sob ela,
Podia-se observar um bom pedaço do bairro.

Ao longe, no alto da montanha,
Uma pequena correnteza
O som da sua água correndo,
Os “cri-cris” dos grilos escondidos.
As luzinhas dos vagalumes
Piscando pela noite adentro.

Ao fundo uma música suave
À voz de José Gregório, o avô,
Que, no escurinho do quarto,
Dedilhava habilmente seu violão.

A menina, por um tempo,
Parou de olhar pela janela.

Em cima da mesa
O seu prato predileto: arroz e ovo.

Ao seu lado Dª Dolôres, a avó,
Com muita ternura e carinho,
Olhava para ela e,
Pela mesma janela,
Contemplava a mesma paisagem
Que a menina contemplara.

Do outro lado da mesa,
A figura feminina e querida
Hermengarda, a mãe,
Usava um vestido preto,
Cabelos presos em forma de rabo de cavalo,
No pescoço um cordão de ouro
Que ganhara no dia das mães.

A menina estava se sentindo sozinha.

A menina pensou
No quanto seria bom
Se aquela noite mágica
Nunca terminasse.

Ainda pensativa
A menina levou o garfo,
Com um pouco de arroz
Molhado no amarelo do ovo, até a boca.
(naquele dia, o gosto não estava tão saboroso.)

A menina estava analisando a sua terrível solidão.
Olhou mais uma vez pela janela
E para a sua avó
Que, novamente, acompanhou os olhos da menina.

Será que a avó,
Sentia uma solidão
Tão gelada, quanto a da menina?


A menina se levantou,
Em passos lentos,
Mas decididos,
Atravessou a porta
Que dava acesso à cozinha
Entregou o prato vazio à pia
Tocou com um dedo, levemente,
Nas costas da Jovelina,
Agregada à família pelo tempo de dedicação,
Que estava à beira do fogão...

Jovelina se virou com um olhar triste
E olhou para a menina...

Ela perguntou: - Quer mais um pouco?
A menina respondeu: - Não, obrigada!

E assim foi a despedida,
De uma vida pacata e tranquila,
Daquela menina
Que foi estudar na capital...