
Acho que ser gauche é sina de Itabirano,
Ou então o anjo torto
Que visitou o Drummond quando nasceu
Vive lá, nas sombras de Itabira.
Estranho como me sinto tão próxima
Dos sentimentos depositados nos versos de um poeta.
Acanhadamente os meus dedos deslizam
Teclando frases que sempre me portam aos seus versos.
Se é pelo fato de ser também Itabirana,
Eu já não me importo por isso!
Se for por ter subido e decido as ladeiras de Itabira um dia
Também já não me importo!
A vaidade foi-se a algum tempo
O orgulho é que me aporrinha.
O ferro na alma, algumas vezes ultrapassa o da calçada.
Não adiantam minhas perguntas
Ficarão todas sem respostas
Como as outras que um dia fiz.
Só me restam as renuncias.
Essas foram tantas
Que já nem sei quantas.
E agora Drummond?
Não desejo cantar o seu mundo caduco
O passado não deixa poeira
Somente rastros a seguir.
Cálculos e sonhos me rondam
Noite e dia
Dia e noite.
A história foi feita para se saber
Não para nos preocupar.
E agora Drummond?
Fico aqui à meia luz
Vivendo à sua mercê
Ou vou para meu canto
E deixo de pensar?
E agora Drummond?
Eu que não tenho nome,
Que zombo dos outros,
Também faço versos,
Amo e protesto
Pergunto a você:
E agora Drummond?
Com certeza
Aquele anjo torto
Não visitou somente você.
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