
Éramos inteiramente
Síntese um do outro.
Sob o domínio do espírito
E da alma molhada pelo cansaço
Eu e a fadiga
Caminhávamos todos os dias
Lado a lado.
Chão e céu
Se fundiam num único mundo.
Não pisávamos
Nem voávamos
Simplesmente
Existíamos.
Todos os dias
Eu e o cansaço
Sem nenhuma palavra
Conversávamos
A aparência da fadiga
Estampada em meu rosto
Dizia tudo,
Sem querer dizer nada.
O meu pensamento alado e mudo
Abandona a lassidão desse meu corpo mórbido
E como loucos e únicos,
Eu e o cansaço
Voamos para outra dimensão
Porém nada, nada nos separava.
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